Em 2008, meu futuro marido, Heriberto, decidiu que queria viver em outro país. Ele queria morar no Canadá, especificamente em Montréal. Essa foi uma decisão influenciada pela viagem que ele fez ao país da folhinha em 2006. Mas, para morar lá, era necessário estar com um bom nível de francês. E, assim, ele decidiu estudar com mais afinco o idioma do amor e se inscreveu em uma escola de francês em Montréal.

Também em 2008, eu decidi que queria estudar no exterior. Eu queria estudar um ano do meu doutorado na França mas, para a obtenção de uma bolsa de estudos para estudar lá, deveria ter um bom nível de francês. Então, o destino se fez presente e acabei escolhendo o mesmo país, a mesma cidade e a mesma escola que Heriberto!

Assim, no início de 2009 estávamos os dois, frequentando o mesmo espaço e, um dia, depois de quase um mês estudando na mesma escola (mas não na mesma turma), ele me viu sentada na cafeteria, estudando para a prova de francês do dia seguinte. Sentou-se na mesa ao lado e, após algum tempo, virou-se para mim e começou a conversar... Falamos de onde vínhamos, o que fazíamos, porque estávamos ali... Nessa breve conversa, ele descobriu que eu sou brasileira e eu descobri que ele é mexicano. Que eu sou fonoaudióloga e ele é engenheiro. Que eu queria estudar na França e ele queria morar no Canadá.

A semana em que aconteceu essa conversa era, infelizmente, a última de Heriberto na escola. Eu ainda teria mais duas semanas alí. Então, só tivemos uma única oportunidade mais de nos encontrar no Canadá. E, dessa vez, apenas nos cumprimentamos...

No entanto, eu o encontrei num desses sites de relacionamento e, dalí, passamos a conversar por MSN, skype, chat do gmail... A princípio as conversas não aconteciam com muita frequencia. Mas, com o passar do tempo, conversar e nos ver tornaram-se necessidades. Então marcávamos hora para os encontros na internet e as conversas eram intermináveis! E, quando nos demos conta, estávamos completamente apaixonados!

Heri e sua família me convidaram a conhecer o México. E foi lá que o namoro começou. Depois disso, Heri foi ao Brasil conhecer minha família e meu país.

As despedidas entre um encontro e outro eram sempre difíceis e nós não sabíamos como faríamos para nos ver no ano seguinte, quando eu iria para França e ele para o Canadá. Mas foi aí que Heri teve uma idéia! Ele pensou em me surpreender com um pedido de casamento lá na França. Assim, com uma cópia da chave do meu apartamento (que ele conseguiu após sua irmã ir visitar-me), ele pegou um avião com destino à Paris e, de lá, um trem até Estrasburgo, cidade onde eu estava vivendo. Esperou que eu fosse à Universidade, entrou no meu apartamento, decorou-o com velas e flores e, (im)pacientemente, esperou que eu retornasse. Na volta para casa, a surpresa (susto!), a crise de riso, o pedido e o sim!

Voltei para o Brasil ao final de novembro de 2010 e comecei a organizar o casamento. Não me preocupei com a casa em que moraríamos, já que decidimos fixar residência no Canadá. Então, essa seria uma preocupação para depois do casamento. Meu foco seria na preparação do casamento. Ou melhor... dos casamentos... Decidimos que faríamos a cerimônia religiosa e uma festa no Brasil, para que meus familiares e amigos pudessem comemorar com a gente, uma festa no México, para que os familiares e amigos dele também pudessem comemorar e, por fim, a cerimônia civil no Canadá, porque lá tudo é menos burocrático com o estrangeiro.

Meu primeiro problema foi logo ao tentar agendar a data: Sem casamento civil previamente marcado, a Igreja Católica não realiza o Sacramento do Matrimônio. Então, conversei com o padre, que me orientou a escrever uma carta ao Bispo, contando minha história e pedindo uma autorização para casar-me na igreja sem o civil. E comprometendo-me a entregar a certidão de casamento assim que ele se realizasse. Então, escrevi uma carta, e duas semanas depois eu recebi a informação de que o casamento havia sido autorizado.

A cerimônia religiosa no Brasil durou cerca de quarenta minutos e eu quase não me lembro do que o padre disse, nem das músicas que tocaram, nem nada... Só lembro da entrada do meu sobrinho (lindo!!!), que foi o meu pajem e foi a sensação da cerimônia!, do "Claro que sim!" do Heri, quando o Padre perguntou se era para sempre que ele prometia me amar, e do momento da saída, quando vi meu vozinho querido chorando muito. Aí eu também não aguentei e acabei chorando!
Nesses quarenta minutos (que para mim não foi mais que cinco minutinhos), experimentei uma felicidade nunca antes sentida! Foi o dia mais feliz da minha vida! E ainda bem esse momento ia se repetir daí dois meses! No início de setembro era a vez da festa no México!

Sempre achei os mexicanos muito animados! Então, minhas expectativas para a minha festa de casamento no México eram altas. E, felizmente, eu não me decepcionei!

O cronograma era o seguinte: chegaríamos à festa, seríamos anunciados, entraríamos e nos colocaríamos na pista para iniciar o tango que tanto havíamos ensaiado. Em seguida, dançaríamos a valsa. Inclusive com nossos pais e com meus cunhados. Depois, o tão temido discurso. Em seguida, seria servido o jantar. A meia noite, faríamos a "Víbora do Mar" e depois eu jogaria meu buquê e Heri jogaria minha liga.

O meu discurso eu havia preparado há um tempão, tamanho era o medo... rs. No Brasil não é comum isso! O Heri preparou o dele algumas horinhas antes da festa. E ficou lindo! Seu pai, como bom anfitrião, fez um agradecimento especial aos convidados. O meu pai fez um discurso que fez todo mundo rir... Contou minha história com Heri do seu ponto de vista (o que acabou distorcendo um pouco a história, diga-se de passagem) e terminou avisando que, agora, Heri também era seu filho e, como tal, deveria saber que "lá em casa, com os filhos, o coro come!" Só meu pai mesmo!

A meia noite, paramos para fazer a Víbora do Mar. Trata-se de uma brincadeira da qual participam as moças e moços solteiros. Primeiro, os noivos sobem em cima de banquinhos e o noivo segura a ponta do véu da noiva. Aí, as moças solteiras fazem um trenzinho e dançam passando por baixo da ponte criada pelo véu da noiva. Como elas podem se desiquilibrar enquanto dançam, há quem fique segurando os noivos. Terminada a dança, eu joguei meu buquê. Quem pegou foi uma amiga das minhas cunhadas. Confesso que eu torcia para que uma das irmãs do Heri pegasse... Mas não foi dessa vez.

Depois é a vez dos moços. Aí a coisa pega... Porque eles tentam derrubar o noivo do banquinho!!! Haja segurança pros noivos!!! Conseguiram até arrancar meu véu. Mas é extremamente divertido! Depois Heri tirou minha liga e jogou. Um amigo do seu antigo trabalho agarrou a liga.

Diferentemente do que aconteceu na festa do Brasil, onde Heri também quis jogar a liga, no México ela foi muito mais disputada do que o buquê!

Muitas e muitas danças e fotos depois, chegou a hora dos Mariachis! Foi bem bonito!!! Pena que era a última hora da festa. Junto com a apresentação deles, foi servido chilaquiles, um prato típico do México. Que delícia!!!! E Heri aproveitou o momento para "passar a camisa"... Pois é, no Brasil, vende-se um pedacinho da gravata. No México, os convidados alfinetam dinheiro na camisa do noivo.

E a festa terminou com gostinho de quero mais. Foi a festa mais divertida em que eu já fui. E o melhor: era minha!!! =)

O casamento civil foi, ao contrário do que costuma ser, depois de tudo. Ele aconteceu dia 21 de outubro, em Montréal. Como eu já havia adiantado, casar em Montréal tem apenas 10% da burocracia que existe para casar no Brasil ou no México. Era apenas apresentar passaporte, certidão de nascimento traduzida, preencher dois formulários e pagar a taxa.

Mas se engana quem pensa que foi tudo assim facinho... Foi não. Sempre tem que haver um contratempo. E eu, que já estava no meu terceiro casamento (com o mesmo marido), já devia saber disso.
Apresentei todos os documentos no final de agosto. Não fiz isso antes porque faltava traduzir a minha certidão de nascimento. Então, ao final de agosto, com todos os documentos em mãos, me dirigi junto com Heri e nossa amiga Ana, que seria nossa testemunha, ao Palácio de Justiça (onde são realizadas as cerimonias civis) para marcar a data. Aí disseram que deveríamos esperar 20 dias e eles nos ligariam e diriam quando seria o casamento. Passaram 20 dias e ninguém ligou. Fui até lá questionar a demora. E aí, o senhorzinho que me atendeu bem ao lado de uma placa de "respeite o funcionário público ou você vai ver o que é bom pra tosse" me disse que ninguém havia me ligado porque eu não havia levado a tradução da minha certidão de nascimento.

Como assim??? Fiquei perplexa, já que eu havia demorado a marcar justamente porque estava esperando a bendita tradução. Eu disse que eu havia levado sim e ele continuou afirmando que não... Pôxa, como deve ser difícil para ele assumir que perderam meu documento... Mas, enfim, só não insisti mais por conta da placa de "respeite o funcionário público ou você vai ver o que é bom pra tosse"...

Depois de eu enviar nova cópia da tradução do meu documento, a data foi finalmente fixada. E, a partir daí, tudo deu super certo!

O único "porém" é que eu estava de viagem marcada para o Brasil no dia seguinte ao casamento. E a festinha que havíamos prometido para os amigos montrealais??? Diante do impasse, decidimos: a festa seria antes da celebração... Sei, isso é bem estranho... Comemorar algo que ainda não aconteceu... Mas a culpa é toda do velhinho-servidor-público-ameaçador que perdeu meu documento.

Apesar de a festa ter sido antes da cerimônia, vou relatar aqui como eu gostaria que tivesse sido. Então, vou começar pela cerimônia mesmo. Ela foi super simples, mas bonita (ao menos eu achei, claro) e durou apenas 10 minutos. Primeiro a juíza leu as leis do código civil do Québec concernente ao casamento. Depois ela pediu que nos déssemos as mãos e então perguntou se queríamos mesmo casar. Diante de nossas respostas afirmativas (um "oui" bem sonoro!!) ela nos declarou époux e épouse e autorizou o beijo. Aí assinamos a papelada e acabou a cerimônia! Simples assim.

Agora a festa... Passei dois dias na cozinha, preparando coisinhas gostosas para 30 convidados. Pães (frango com cream cheese, peperoni com queijo e pizza), torta de palmito, quiche de brócolis com bacon, beijinho, brigadeiro, casadinho, flamboyant, mousse de maracujá e bolo de três leites recheado com doce de leite e chocolate branco. Ficou tudo bem bom, porque fiz tudo com muito carinho!!! E a festa também foi bem boa! A casa estava lotada de gente animada: nossos novos e já queridos amigos. Foram 5 horas de muita risada, muita diversão e muita conversa (em vários idiomas, porque tínhamos convidados de nove nacionalidades diferentes!!!). Pena que já passou... Agora tenho que pensar em como será a comemoração de um ano de casados... E mais difícil que isso: quando será essa comemoração, já que temos 3 datas diferentes para comemorar nossa união. E viva o amor!!! =)


PARABÉNS, Evelin! Sua história é fantástica, e você é a ganhadora da promoção "Era uma vez" do "Agora sim, casada".
Que Deus abençoe o casamento de vocês!
(Entrarei em contado por e-mail para definirmos os detalhes sobre o prêmio)

Agradeço de coração, a todas as noivinhas e casadinhas queridas que participaram. Algumas histórias serão publicadas aqui no blog em breve. Não foi dessa vez, mas logo teremos uma nova promoção!

Beijos!

4 comentários:

  1. Flor tem selinho lá no blog p/ vc

    bjo bjo

    respireecase.blogspot.com.br/

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  2. realmente mereceu e muito .... queria eu casar três vezes em países diferentes com o mesmo homem ..demais


    beijos

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  3. Ai que lindoo, espero que o meu seje especial igual ao seu também!!!! Noivei vai fazer 2 meses, conto tudo no meu blog tbm...da uma passadinha la!!

    http://essencia-g.blogspot.com.br/

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  4. Que história linda!!! E tbm engraçada.

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