Bebê de 2 meses

Hoje, dia 20 de agosto, é um dia muito especial pra mim. Bia completa três meses de nascida e eu me sinto como se tivesse concluído o "período de experiência" de um novo (e permanente) trabalho. O salário? Ah, só de olhar pra esse rostinho lindo, já me sinto a mulher mais bem paga do mundo!

Como ainda não pude escrever o relato do parto, nem consegui falar sobre as experiências de cada mês, resolvi juntar tudo num post só e compartilhar com vocês. Senta aí, que a história é longa. ;)

A escolha do parto

Não me lembro de alguma vez na vida ter considerado a possibilidade de um parto normal. Definitivamente, gritar de dor não estava nos meus planos, até eu engravidar. Logo no comecinho da gestação, algo começou a mudar dentro de mim (literalmente, né?). Minha mente se abriu para essa possibilidade... comecei a pesquisar, ouvir relatos e, em pouco tempo, eu já estava decidida: "quero um parto normal". Leandro, claro, me apoiou totalmente. Ao contrário do que pensei a vida toda, dessa vez, definitivamente, eu não queria encarar um pós-operatório logo nos meus primeiros dias como mãe. Conversei com a minha obstetra, e ela também me deu todo o apoio que eu precisava.

Os meses foram passando e até comecei a pensar que Bia chegaria antes da hora, de tão agitada. Chegou a 36ª semana, 37º, 38º, 39º, e nada... Nada de contrações fortes, nada de bebê encaixado, nada de saída do tampão mucoso, nada de perda de líquido amniótico. Útero fechadinho. Nenhum sinal de trabalho de parto. Minha obstetra recomendou que esperássemos somente até completar 40 semanas, se Bia não nascesse, ela faria uma cesárea (embora seja possível esperar até 42 semanas, os riscos para o bebê podem aumentar a partir da 41º). Meu desejo de ter um parto normal não era mais importante que a segurança do meu bebê. Segui a recomendação da obstetra.

O parto

Depois de uma noite mal dormida (ansiedade) e de ter finalizado os últimos detalhes do quartinho de Bia com Leandro, no dia 20 de maio (40 semanas de gestação), levantei cedinho, tomei café da manhã e deitei no sofá. Não consegui dormir. Fiquei no celular, trocando mensagens com a minha mãe e minhas irmãs, enquanto pensava se faltava colocar algo na mala e esperava a hora da minha última refeição do dia, às 9h. Mais tarde, tomei banho, colocamos as bagagens no carro e fomos (eu e Leandro) para a última consulta com a minha obstetra (por volta das 11h). De lá, já saímos com as papeladas direto para a maternidade. A espera na recepção para assinar a internação deve ter durado umas 2h. Não lembro o motivo da demora, mas nem tive tempo de organizar minhas coisas no apartamento. Leandro foi deixar as malas no quarto, enquanto eu, minha mãe e o maqueiro subimos direto para o bloco cirúrgico, onde a equipe médica me aguardava.

Parto cesárea

Minha obstetra me recebeu na porta do bloco com um "high five" e um sorrisão no rosto. Tomei um banho com clorexidina e vesti a bata. Foi quando, para o meu alívio, Leandro apareceu já vestido com a roupa de acompanhante. Tive muita sorte porque, além do meu marido, pude contar com a presença da minha mãe na sala de parto (ela é enfermeira e trabalha neste mesmo hospital).

Entrei naquela sala gelada e o anestesista foi logo se apresentando. Ele explicou o procedimento e me pediu pra sentar na maca e curvar as costas (fazendo uma corcunda). Minha obstetra segurou minhas mãos e me abraçou (me forçando a ficar na posição correta), enquanto o anestesista aplicava a injeção na coluna. Foi tudo muito rápido. Mal senti a agulha entrando nas costas, e também não senti nenhum incômodo nas pernas, como algumas pessoas relatam. Eu deitei na maca ainda sentindo as pernas, mas logo foi adormecendo e passei a não sentir nada do peito para baixo.

A equipe médica me passou muita confiança. O anestesista ficou o tempo todo na parte de trás da maca, me contando tudo o que estava acontecendo, explicando o que era cada medicamento que colocava no soro e me dizendo o que eu iria sentir. Ele foi simplesmente excelente!

Na hora em que as médicas foram puxar Bianca, o anestesista disse que eu sentiria uma pressão no peito. De fato, a sensação era de que estavam tirando ela do meu peito, hahaha. É difícil de explicar... Não dói nem um pouco, mas você sente que estão mexendo na sua barriga. Comecei a ficar meio tonta, e senti como se meus batimentos cardíacos estivessem fracos. Minha cabeça doía. Falei o que estava sentindo ao anestesista e ele me acalmou, dizendo que a tontura era por causa da anestesia e que iria colocar um medicamento para dor de cabeça no soro. Quem assistiu ao parto lá no YouTube (assista aqui), deve ter notado que eu estava bem séria e meio grogue.

Parto cesárea

Eu ouvi o chorinho de Bia. Não sei descrever isso. Apenas chorei. E chorei ainda mais quando vi o rostinho dela. (Ps. O vídeo não mostra a primeira vez que vi Bia - acho que Leandro parou de filmar para fotografar. Mostra só o momento em que a pediatra me trouxe ela para beijar.)

Parto cesárea

Parto cesárea

Minha pressão arterial subiu muito, chegou a 17x9. Fui medicada novamente na sala de observação, e de lá, segui para o apartamento, já com Bia nos braços.

Ainda na maternidade...

Em meio à felicidade de ter minha princesinha nos braços e à alegria da família, uma coisa me deixou muito nervosa: a amamentação. O colostro era tão pouquinho, que uma técnica de enfermagem precisou espremer meu peito feito laranja, pra coletar a primeira mamadinha de Bia num copinho, já que ela não conseguiu sugar sozinha. Eu morria de medo sempre que alguma técnica abria a porta do apartamento, porque sabia que iria espremer (sim, a palavra é essa mesmo) meu peito até sair alguma coisa, e isso era muito, muito doloroso. Além da dor do peito, sempre que Bia conseguia pegar o bico e sugar (depois de várias espremidas), eu sentia muita dor no útero. É que a sucção do bebê no peito faz o útero contrair, o que já é doloroso pra quem teve um parto normal. Agora imagine o quanto dói um útero pós-operado se contraindo! Nem quero lembrar.

Primeiro mês

Meus pais já haviam sugerido que a gente passasse os primeiros dias na casa deles, mas eu e Leandro tínhamos decidido que era melhor irmos para o nosso cantinho mesmo. Afinal, o que poderia dar errado? (sabe de nada, inocente!). Recebemos alta no domingo, depois do almoço. No primeiro dia em casa estávamos exaustos! Desde a maternidade que a gente não dormia direito. À noite, jantamos e Leandro me mandou dormir no nosso quarto, que ele ficaria com Bia no quartinho dela (ao lado do berço, na cadeira de amamentação, dormindo sentado. Vê se pode!) Eu dormi por algumas horas, mas logo acordei com dores do pós-operatório e receio de que Leandro dormisse (de tão cansado) com Bia no colo e ela escorregasse. Resumindo a novela: Bia acordou e passou a noite toda chorando (leia-se "berrando"). Eu amamentava, mas a quantidade de leite não era suficiente ainda. Ela chorava sem parar... A gente dava remédio pra cólica, mas ela continuava chorando. A menina estava com fome, e a gente, inexperiente, não sabia!

Bebê 1 mês

Eu não dormi, Leandro não dormiu e Bia só parou de chorar quando eu coloquei meu dedo na boca dela, pra ela sugar. Foi uma noite terrível. Meu corpo estava moído do fio de cabelo à unha do dedo mindinho do pé. Eu estava cansada, doída da cirurgia (já havia levantado e sentado um milhão de vezes) e completamente abalada emocionalmente (no pós-parto a mulher fica meio deprê e cheia de paranóias).

No dia seguinte, como se já soubesse que nossa experiência tinha sido desastrosa, minha mãe chegou cedinho no nosso apartamento. Veja a cena que ela encontrou: eu apagada no sofá, Bia numa cadeirinha de descanso ao lado do sofá (com meu dedo dentro da boca) e Leandro todo descabelado e desorientado, tendo que sair para trabalhar. Sem exageros, minha mãe parecia um bombeiro resgatando as vítimas de um incêndio. Ela falou pra gente ir dormir, pegou Bia, deu banho nela, pôs pra dormir e preparou o nosso café da manhã (tudo ao mesmo tempo... não me pergunte como). A cena mais marcante foi quando ela me acordou com um prato de cuscuz e um copo de suco de uva e disse: "coma logo, porque daqui a pouco Bia vai acordar querendo mamar". No mesmo instante, ouvi o choro de Bia vindo do quarto. Chorei também. Chorei porque estava esgotada da noite anterior, porque o meu corpo todo doía e, principalmente, porque eu sabia que não daria conta quando minha mãe fosse pra casa. Naquela mesma manhã, fizemos as malas e fomos direto pra casa dos meus pais. Nossa intenção era ficar 1 ou 2 semanas, mas ficamos 1 mês, e foi a melhor coisa que poderíamos ter feito. Durante esse tempo, pude me recuperar da cirurgia e do torcicolo que adquiri tentando amamentar, aprendi a trocar fralda, dar banho e, finalmente, consegui amamentar minha filha (embora ainda fosse muito doloroso).

Sobrevivemos ao primeiro mês. Ufa! Voltamos pra casa e, aos poucos, fomos nos adaptando à nova rotina.

Segundo mês

Apesar das poucas horas de sono, no segundo mês, tudo já parecia mais simples do que antes: se chorar, provavelmente é fome, se espernear, pode ser cólica. A gente começou a se acostumar a dormir de pingo em pingo e passou a aproveitar melhor as horas de sono dela.

Bebê de 2 meses

Uma coisa muito importante aconteceu nesta fase: Bia começou a sorrir. Antes ela sorria apenas quando estava dormindo (involuntariamente). Agora não, ela sorria pra gente, interagindo. Era como uma recompensa por todo o nosso esforço. =) Passou também a nos acompanhar com o olhar e a se interessar pelas coisas à sua volta. Uma fofa.

Terceiro mês

A amamentação finalmente deixou de ser dolorosa e toda aquela dificuldade dos primeiros dias ficou no passado. Ainda dormimos poucas horas seguidas. Ainda faço minhas refeições enquanto amamento. E ainda levamos 2 horas pra ficarmos prontos antes de sair de casa. Só que agora tudo está "sob controle", e temos muito mais momentos de interação com nossa princesinha. A gente conversa, canta, ri, brinca, beija (o tempo todo), passeia e constrói um relacionamento lindo, que fica mais forte a cada dia.

bebê 3 meses

Eu me apaixonei pela minha pequena desde quando vi seus olhinhos pela primeira vez. Passei a amá-la mais que a mim e a querer protegê-la de qualquer mal. Todo esforço vale a pena, e eu não trocaria esses momentos, a minha família e a maternidade por nenhum tesouro desse mundo. Nenhum.

Este relato enorme não contém nem 5% de tudo o que a gente viveu nesses últimos meses. Não cabe, não tem como descrever. A gente apenas vive e guarda na alma. =)

Minha eterna gratidão a Deus, pela minha pequena e pela capacidade que tem nos dado de cuidar dela. "Porque dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas" (Romanos 11.36).


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2 comentários:

  1. Li, amei seu relato, e as lágrimas quando li sobre o primeiro mês foram inevitáveis... tive parto normal, foi tranquilo e lindo, tive muiiiiito leite, porém o bico do seio praticamente não tinha! Sofri, chorei, até busquei ajuda, porém sem sucesso e num ato de desespero entrei com fórmula ao ver que ela não conseguia abocanhar e em 19 dias após nascida, minha princesa não ganhou nadinha de peso �� fui muito julgada por dar a fórmula, amamentava tbm, porém com a falta de estímulo o leite foi diminuindo cada vez mais... porém só Deus é meu esposo sabem do esforço q fiz antes de dar mamadeira, das noites em claro tentando amamentar....mas passou, hj não me culpo mais, e agradeço a Deus pela oportunidade de ser mãe! Beijão

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    Respostas
    1. Obg, querida!
      Bia toma fórmula desde a primeira semana de vida. 90% de sua alimentação é leite materno, mas de vez em quando preciso dar fórmula, quando não produzo a qtd suficiente.
      Mãe é uma criatura que todo mundo se sente no direito de julgar. Que bom que hj vc não se importa mais com isso. Está certíssima!

      Deus abençoe sua família. Bjs

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